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12/08/2024

DIÁRIO DA VIAGEM À GRÉCIA (4)

 PARTE 4

Dias 28, 29 e 30 de abril/2024 (Saída de Atenas via ferry para Mykonos; passeio no centro de Mykonos com fotos no local dos Moinhos de Vento;  passeio na ilha de Delos; saída via ferry  do porto de Mykonos para Santorini).


Vista do porto e moinhos  em Mykonos


No dia da viagem a Mykomos  acordei na madrugada para deixar uma das minhas malas no depósito do hotel, pois a recomendação era  seguir para  os passeios dos próximos dias  nas ilhas gregas (Mykonos, Santorini e Rhodes) somente com uma bagagem e a mochila. Fui a primeira a chegar na recepção do hotel e fiquei aguardando os demais do grupo. Quando todos chegaram recebemos nosso kit do café da manhã, pois naquele horário  o restaurante do hotel ainda não estava funcionando uma vez que o café da manhã era a partir das 7:00h. 

               Saída do hotel e depois do porto de Atenas com destino a Mykonos via ferry boat


Às 6:15h ficamos na frente do hotel vizinho, conforme orientação do líder, aguardando o ônibus que faria o traslado até o porto de Atenas e chegando nesse porto embarcamos no ferry boat, deixando nossas malas no piso inferior da embarcação, onde há o depósito de bagagens. Em seguida  subimos para o piso superior, procurando nossos assentos cujos números  estavam indicados no ticket de embarque. A viagem foi muito agradável, meia hora antes da saída tomei o medicamento para náusea que havia comprado na farmácia da ilha de Hydra. Assim não mais tive enjoos nas viagens via ferry e em outro barco menor. 

Percorremos no mar Egeu a distância de Atenas a Mykonos, em torno de 150 km. O mar naquele dia estava bem tranquilo e chegamos  na ilha de Mykonos por volta do meio dia. De Atenas até essa ilha, de  ferry boat  a viagem tem aproximadamente 4 horas e meia de duração, enquanto por via aérea são 40 minutos de voo.

Casinhas  brancas da  rua  estreita de Mykonos

Depois de  nos acomodarmos no hotel, fomos almoçar em um restaurante ali perto, nas imediações do lugar onde estão os famosos moinhos de vento, local emblemático de Mykonos. Após o almoço tiramos fotos nos moinhos e depois fomos  passear  nas ruelas super  estreitas e labirínticas da ilha, na zona comercial,  com suas lojas e restaurantes. As casas pintadas de branco com detalhes azuis e as flores enfeitando suas fachadas e janelas, um cenário muito instagramável e de genuína beleza.  

Quando estávamos saindo do restaurante vimos um grupo de quatro  turistas falando português,  em uma mesa daquele restaurante. Em conversa com alguém do nosso grupo eles informaram  que eram de Teresina. Fiquei feliz em encontrar,  na ilha de Mykonos,  alguns conterrâneos e  fui cumprimentá-los. 

                     
Nos moinhos de Mykonos

No início da primavera  o vento ali é muito intenso e por esse detalhe eu não retornaria a Mykonos nesse período, pois não aprecio vento forte, prefiro uma brisa leve, como estava na ilha de Santorini, que foi nosso próximo destino nos dias seguintes. Essas duas ilhas, assim como Paros, Delos, Milos, entre outras, fazem parte do arquipélago de Cíclades, cujo nome remonta ao seu  formato circular. São mais de duas mil porções de terras no arquipélago, entre ilhas, ilhotas e rochas, sendo habitadas apenas em torno de 227 ilhas. Segundo a mitologia grega, Poseidon, deus do mar, furioso com as ninfas das Cíclades as transformou em ilhas.


Mapa das Cyclades

Após o passeio nas vielas da ilha de Mykonos, retornei ao hotel na  companhia do líder, enquanto os demais do grupo ficaram fazendo compras nas inúmeras lojinhas do centro comercial. Voltei ao hotel mais cedo, pois o vento forte daquele dia estava me incomodando e aproveitei para tirar algumas fotos da paisagem,  indo em seguida fazer um lanche  no restaurante do hotel, pois já estava no horário do jantar.


Lojas nas vielas de Mykonos
                            

O grupo reunido  após o almoço



No dia seguinte conhecemos a ilha de Delos, que fica próxima de Mykonos, viagem em um barco de médio porte. O mar Egeu naquele dia estava meio agitado, no entanto não tive medo e não senti náusea. Parece que o meu trauma em relação a viagem via marítima havia sido superado a partir da experiência na ilha de Hydra. Portanto agora sinto-me encorajada para fazer um cruzeiro de navio, o que eu nunca imaginei que gostaria, pois antes tinha receio de fazer viagens  por via marítima. 

Embarcando em Mykonos para o passeio na ilha de Delos


Chegando em Delos fomos conhecer a ilha em um passeio guiado e  utizando fone de ouvido, seguindo a guia que narrava a história desse lugar. O idioma falado por ela era inglês e por isso entendi muito pouco do que foi dito,  a guia  falava muito rápido. Além disso às vezes o sinal do fone de ouvido falhava. Ventava muito  e o sol naquele dia estava bem forte. 


Explorando a ilha sob  a liderança da carioca Edna



Na ilha de Delos

Quando nosso grupo ficou distanciado da guia fomos explorar a ilha sob a liderança da carioca Edna, que reside nos Estados Unidos e fala fluentemente a língua inglesa, portanto entendia bem a narrativa  da  guia. Além disso ela já conhecia a ilha de Delos, sendo aquela a sua segunda viagem à Grécia. Como já conhecia o lugar, além de ter muito interesse sobre arqueologia, Edna nos deu algumas informações sobre as ruínas ali existentes, onde há os escombros de uma antiga cidade.  Este foi  o seu último passeio  junto ao grupo, pois na manhã do  dia seguinte ela  iria se despedir, sua permanência  conosco terminava em Mykonos  e  a partir dali seguiria  para um tour na Turquia.

Ruínas do Templo de Apollo em Delos

Ruínas do Templo de Árthemis em Delos

Terraço dos Leões em Delos


Dentro do barco retornando de Delos  para Mykonos

Retornamos a Mykonos e almoçamos  no restaurante do hotel, na verdade foi almoço e jantar pois chegamos quase no final da tarde. Após o jantar me recolhi no quarto do hotel para tomar banho e aproveitei a noite livre para pesquisar sobre as ilhas  Delos e Mykonos, bem como enviar mensagens e ligar para a família.

Algumas vezes  depois dos passeios,  à noite,  quando estava recolhida no quarto do hotel,  eu  ficava no celular pesquisando a respeito do local da visita do dia, para fixar na memória algum conhecimento sobre o local visitado. Sobre Delos nas minhas pesquisas daquele dia aprendi que  segundo a mitologia  o deus Apolo nasceu nessa ilha, assim como sua irmã gêmea, a deusa Árthemis. Ambos eram filhos de Hera e de Zeus. Por isso nos escombros da antiga cidade  existem os templos de Apollo e da deusa  Árthemis. 

Hoje Delos é conhecida como a Pompéia grega, pois foi saqueada e  destruída por piratas no ano 69 aC, e desde então abandonada. Nas ruínas ali existentes há vestígios de casas, lojas, oficinas, santuários, templos, teatros, o mercado de escravos (Delos era muito rica em boa parte devido ao tráfico de escravos), o monumental Terraço dos Leões, entre outras ruínas. Existe nessa ilha uma inscrição que diz, traduzida do grego antigo: “Das coisas a mais nobre é a mais justa; e a melhor é a saúde; mas a mais doce é alcançar o que amamos".

No interior do ferry com destino a Santorini

No dia seguinte, após o café da manhã, saímos do porto de Mykonos via ferry boat, com destino à ilha de Santorini, cujo traslado do hotel até o porto foi em uma van.  Nossa bagagem foi colocada por um funcionário do hotel dentro da van e entrei por último nesse veículo, onde os demais já estavam sentados, portanto me acomodei na fileira de trás. Então alguém do grupo  falou sorrindo que no momento da minha entrada  na van  o moço do hotel que havia nos ajudado a colocar nossas bagagens no porta malas ficou enviando beijinhos na nossa direção. Eu não vi, mas achei interessante a demonstração de carinho do rapaz do hotel. No Brasil é pouco provável que isso aconteça, geralmente os funcionários dos hotéis são discretos e jamais fariam isso.

Esperamos por um bom tempo o ferry no porto de Mykonos. Na hora do embarque,  dessa  vez não deixamos nossas malas no depósito de bagagem do ferry boat, pois verificamos que seria muito difícil localizá-las na chegada a Santorini. Seguindo a orientação do líder levamos conosco nossas malas que ficaram acomodadas entre os nossos assentos dentro da embarcação. Subir as escadas de acesso aos   pisos  superiores do ferry  com uma mala e uma mochila foi muito pesado,  principalmente para as mulheres do grupo,  e tivemos ajuda inclusive de outros turistas que não eram  nossos conhecidos. Em certo momento um turista desconhecido me ajudou a subir a mala nos degraus de uma das  escadas que era muito estreita e inclinada. Achei muito bacana essa  gentileza e  demonstração de solidariedade,  agradecendo ao turista em grego "efcharistó poly" e em inglês "thank you very much".  

                                                                       

Na saída do hotel em Mykonos


Mykonos Beach Hotel onde nos hospedamos


No ferry com destino a Santorini

Chegando em Santorini fomos transportados para o hotel em um micro ônibus, com uma guia que se apresentou e teceu alguns comentários sobre o passeio do dia seguinte. Na ocasião ela informou que já havia residido no Brasil, na cidade de Salvador, pois era filha de uma grega e um brasileiro, por isso falava português muito bem.

Quando chegamos no hotel, o motorista saiu da van para entregar as bagagens do grupo que estavam no porta malas do micro ônibus. Depois da retirada das bagagens de todos, vendo que a minha não se encontrava ali, pedi ao motorista que verificasse no fundo do bagageiro e ele me informou que não havia mais bagagens naquele compartimento. Por um momento fiquei muito aflita diante da falta da minha mala. Depois de alguns instantes de perplexidade, entrei aflita no hotel,  então  vi que a guia  encontrava-se na recepção com a bendita mala. Suspirei aliviada e agradeci a ela  pela gentileza de  transportar minha bagagem até a recepção do hotel. 

Refletindo sobre o ocorrido lembrei que fui a última a sair da van, portanto no momento em que o motorista começou a retirar as bagagens do porta malas, eu não vi quando minha mala foi retirada. A guia que estava ali naquele instante - pois foi quem primeiro desceu da van -  pegou a mala e saiu na frente de todos entrando no hotel com minha bagagem. Nem o motorista percebeu isso, assim como os demais do grupo. Por isso senti por alguns instantes a sensação de ter a bagagem perdida em uma viagem, o que foi muito desagradável. Nessa ocasião a amiga Conceição me fez lembrar  como é importante  nesses momentos a  gente respirar  fundo e  tentar manter a calma, pois no final tudo é resolvido. De nada adianta ficar  abalado com situações  de aparente dificuldade.  Mantendo a serenidade podemos  resolver tudo  e solucionar eventuais problemas que se  apresentam. Lembrei dos ensinamentos da  escola filosófica do estoicismo, que ensina quão importante é manter a serenidade nos momentos difíceis. Portanto, de todos do grupo, Conceição era a que mais parecia uma autêntica  estóica,  com sua resiliência, paciência e tolerância para  com todos,  sempre pronta a  ajudar quando preciso. 

Na minha pesquisa da noite anterior, procurei ver algum vídeo no you tube sobre Mykonos, que  compartilho aqui para quem tenha interesse em conhecer mais dessa ilha. 



Rota dia 30 de abril via ferry boat de Mykonos a Santorini (Fira - Neo Suites)


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