17/08/2024

DIÁRIO DA VIAGEM À GRÉCIA (1)



PARTE 1

Dias 20 e 21 de abril/2024 ( Embarque de Teresina a Guarulhos e de Guarulhos a Atenas, conexão em Roma e chegada à Grécia )



Conhecer a Grécia sempre esteve nos meus planos até que surgiu a oportunidade através do convite de um conhecido  residente em Florianópolis. Há vários anos ele forma grupos de viagem à Grécia no período da primavera, com pessoas que se interessam em conhecer esse país. O grupo é formado por ele e o serviço turístico é contratado por uma agência de turismo grega. O grupo de 2024 já estava formado por oito pessoas, eu fui a nona e última integrante, decidindo fazer parte da viagem menos de dois meses da data da partida.

Ao decidir fazer a viagem percebi que havia  algo  a ser solucionado, pois minhas férias não estavam previstas na escala anual de férias do órgão onde trabalho, para o período da viagem. Portanto tive de vencer a primeira batalha, quando requeri a mudança para o período previsto no roteiro do grupo Grécia 2024. Após alguns dias a decisão  foi proferida, com o deferimento ao meu pedido. Pronto, a partir disso eu já estava oficialmente como integrante da viagem à  Grécia  e passei a participar do grupo no WhatsApp, criado pelo líder para interação  de todos.  

Assim passei a integrar o grupo de 2024, que era formado por duas professoras de Ourinhos-SP; um casal de empresários de Belo Horizonte; uma servidora aposentada da ALSP, mineira mas residente em São Paulo; duas cariocas,  uma delas residente na cidade de Jupiter, estado da Flórida (Estados Unidos); o líder do grupo, residente em Florianópolis e eu, de Teresina-PI, a única nordestina do grupo.

Todos eram simpáticos e as professoras de Ourinhos logo ganharam minha amizade, ocasião em que passamos a conversar em particular no WhatsApp, além das interações coletivas com os demais membros no grupo criado para essa finalidade. Por sorte o nosso voo internacional (meu e das professoras de Ourinhos), de Guarulhos a Atenas com conexão em Roma, era o mesmo, portanto partimos com destino à Grecia juntas. Para mim isso foi muito bom, pois ter uma rede de apoio de amigos em uma viagem é super importante, viajar sozinha não é algo que aprecio, prefiro viajar acompanhada.

No intervalo entre o voo doméstico até Guarulhos e o voo internacional com destino a Atenas, decidi permanecer por algumas horas em um hotel situado no próprio aeroporto, pois não havia dormido naquela noite, o embarque de Teresina a Guarulhos havia sido na madrugada daquele dia e desembarquei em Guarulhos ainda cedo, por volta das 5:30h da manhã, enquanto o voo para Atenas seria somente às 19:30h. Assim aproveitei esse intervalo para um breve descanso no hotel. No entanto depois verifiquei que a escolha não havia sido muito acertada devido a localização do hotel que ficava no terminal 1 do aeroporto, enquanto o embarque internacional ficava no terminal 3, bem distante desse hotel.

Após a hospedagem tomei conhecimento que existem naquele aeroporto outros hotéis em cada um dos terminais. Assim, no retorno da Grécia ao Brasil, já tendo essa informação, pelo mesmo motivo de necessidade de descanso no intervalo do voo internacional e voo doméstico em horários distantes um do outro, hospedei-me por algumas horas em outro hotel naquele aeroporto, nas proximidades do terminal de embarque do voo de retorno a Teresina.

Apesar de ter direito à sala VIP de espera, o ingresso nela somente poderia ser após despachar a bagagem e já com o cartão de embarque em mãos, pois nela só é permitida a entrada com a bagagem de mão. Mesmo já tendo feito o check in on line e ter o cartão de embarque no celular, ainda não poderia de imediato despachar a bagagem no horário que cheguei no aeroporto, tanto para o voo de ida à Grécia, como o de retorno ao Brasil, uma vez que o despacho de bagagem só é autorizado duas horas antes do embarque. 

Descartei de imediato a idéia de maratonar pelo aeroporto com duas malas e uma mochila por várias horas até o horário de despachar a bagagem, o que seria muito desgastante e arriscado, pois nesse caso teria de deixar as malas sem ninguém vigiando no lado de fora da cabine do toalete, quando sentisse necessidade de ir ao banheiro. Descartei também a possibilidade de deixar a bagagem no maleiro desse aeroporto, até o horário permitido para despachar, preferindo ficar algumas horas em um hotel, para descansar e dormir um pouco.  Além disso, no quarto do hotel, apesar de minúsculo, eu teria mais privacidade do que na sala VIP e aproveitei para tomar banho e trocar de roupa. 

Na hora de despachar a bagagem

Permaneci no hotel do aeroporto das 6:00 h até o horário de despachar a mala, por volta das 17:30 h do dia 20 de abril. Momentos antes do horário de embarque encontrei as meninas de Ourinhos, Conceição e Sandra, na fila de despachar a bagagem, quando tive o prazer de conhecê-las pessoalmente, pois até aquele momento só havíamos nos contatado virtualmente, através de conversas via WhatsApp.

Rota dia 20 de abril - Aeroporto Guarulhos ao Aeroporto de Roma

Assim embarcamos juntas, eu, Conceição e Sandra, no voo de Guarulhos a Atenas,  conexão em Roma,  com horário de saída por volta das 19:30h, em 20 de abril de 2024. A viagem foi tranquila, chegamos em paz no aeroporto Leonardo da Vinci, apenas houve uma certa demora em saber o número do portão de embarque no voo de Roma a Atenas.

Após uma maratona nesse aeroporto, onde os painéis de informações não noticiavam o número do portão do voo para Atenas e com o horário do embarque já bem próximo, o que gerou alguns momentos de ansiedade, até que finalmente apareceu o número no painel poucos minutos antes do embarque, formando-se então a fila.

Nas horas de espera no referido aeroporto, aproveitamos para apreciar as expressões artísticas que há nele, onde existem expostos lindos painéis com fotos de Veneza, outros com textos literários de poetas e escritores italianos, além de esculturas. Aproveitei para tirar algumas selfs com o fundo dos painéis das lindas paisagens de Veneza.

Em Roma 

Um  painel literário também  chamou minha atenção nesse aeroporto, onde está escrito uma frase que fala de todos os  erros cometidos  em autodefesa, que machucam  e  fazem mal. Procurei captar o que o escritor  quis dizer, confesso que não consegui. Será que seria uma situação  onde  uma pessoa poderia cometer erros para sua autodefesa,  sendo que esses  erros poderiam lhe machucar e fazer mal,  no entanto tais erros seriam cometidos para serenar o coração de alguém, para  este  sentir-se vivo? Bob Dylan diria: "The answer my friend, is blowin' in the wind...". Paul MacCartney, perguntando para mother Mary que também responderia: "Let it  be, let it be , there will be an answer, let it be... "  

Se o autor da frase tivesse me indagado sobre isso eu diria  que os erros fazem parte da trajetória de cada  um,  sendo   ferramentas de aprendizado e evolução. O mais importante é ter consciência do erro,  fazer disso um aprendizado e não mais voltar a  errar. 


Frase em painel do aeroporto em Roma

Tradução com a ferramenta google tradutor de  imagem

Embarcamos de Roma rumo à capital da Grécia em voo de aproximadamente uma hora e chegamos em Atenas por volta das 20:30h do dia 21 de abril de 2024. No aeroporto encontramos a receptiva da agência de viagem contratada, uma super simpática grega chamada Joy, que nos presenteou com uma sacolinha de delícias da Grécia e nos deu as boas vindas de forma muito afetuosa, demonstrando a simpatia e hospitalidade do povo grego. Joy, como boa parte dos gregos, sabe falar além do inglês  um pouco  de  espanhol, portanto nos comunicamos neste idioma. 

Tiramos algumas fotos para registrar nossa chegada a Atenas e fomos com destino ao hotel em uma van da agência de viagem, cujo motorista, também muito simpático, sabia falar espanhol e um pouco português de Portugal, de forma que conseguimos conversar com ele, ocasião em que nos deu algumas instruções e teceu alguns comentários sobre os costumes e cultura grega.

Joy (à esquerda) eu no centro, Sandra e Conceição (à direita)


Rota dia  21 de abril - Roma/Atenas e  chegada no hotel Crystal City

Os outros integrantes do grupo também embarcaram de Guarulhos em voos diversos, com exceção da carioca que reside nos Estados Unidos, que embarcou da Flórida e chegou em Atenas antes de todos. Quando chegamos no hotel em Atenas, eu e as amigas de Ourinhos, Conceição e Sandra, já estavam lá a carioca que reside na Flórida, Edna, e o casal mineiro de Belo Horizonte, Rosy e Arnaldo. Alguns minutos depois chegaram juntos o  líder do grupo, Eustáquio,  acompanhado  da Regina, mineira residente em São Paulo  e da outra pessoa que reside  no Rio de Janeiro (esta não autorizou que seu nome fosse citado aqui), os quais  estavam no mesmo voo com conexão em Londres. 

Fiz um lanche bem substancial em uma lanchonete próxima ao hotel, na companhia das meninas de Ourinhos, Rosy e Edna. Depois me  recolhi ao quarto  para o descanso noturno após longas  horas de voo contando com a conexão, além do chá de aeroporto com maratonas nas filas de embarque e  de imigração, o que é por demais cansativo. Eu viera do destino mais distante, oriunda de Teresina. Somando as horas do voo doméstico mais os dois voos internacionais, totalizaram em torno de  21 horas de voo mais algumas horas em três aeroportos, portanto descansar naquele momento era o que eu mais necessitava.



                                                               ***



16/08/2024

DIÁRIO DA VIAGEM À GRÉCIA (2)

 PARTE 2

Dias 22 e 23 e 24 de abril/2024 (passeio no centro de Atenas; jantar em restaurante típico de Atenas, com música ao vivo e show; cruzeiro nas ilhas Hydra, Paros e Aegyna).




Acordei bem cedo no primeiro pernoite no hotel em Atenas, que é bem localizado no centro da capital grega, em uma zona de muitas lojas e boa gastronomia. O Hotel Crystal City está situado  ao lado da estação de metrô Metaxourghio, oferecendo  fácil acesso a atrações como a Acrópole e conta com um terraço no 7º andar (Roof Garden) com vista panorâmica da cidade e do Parthenon.

O passeio previsto para esse dia no roteiro da viagem seria um city tour, com visitas a Acrópole, Museu Nacional e estádio onde aconteceu a primeira olimpíada dos tempos modernos. Esperamos por alguns minutos no local indicado, perto do hotel, no entanto tivemos de fazer um passeio improvisado, pois a empresa de ônibus contratada informou que por motivo de força maior o passeio teve de ser adiado para outro dia.

Ao receber a notícia decidimos fazer um passeio a pé, para conhecermos o centro de Atenas até o Museu da Acrópole, que não ficava muito distante. Todos ficaram satisfeitos com a alternativa sugerida pelo líder do grupo, certamente caminhar em locais tão bonitos e com uma temperatura muito agradável, seria muito interessante, como realmente foi.









Aproveitamos o agradável passeio para fotografar os prédios do centro de Atenas no estilo de arquitetura greco-romano, os quais são ornamentados em suas entradas e jardins com lindas estátuas de deuses da mitologia e filósofos gregos. A quantidade de mármore que é utilizado nos palácios do centro de Atenas nos impressionou, assim como a beleza dessas edificações. Naquela ocasião nosso grupo já estava bem entrosado, que na sua maior parte era integrado por mulheres, só dois homens no meio de sete mulheres. Portanto os assuntos e estilo femininos predominavam e o interesse maior, além de conhecer a cultura grega, eram as compras de artigos típicos da Grécia nas várias lojas ao longo do passeio, além das fotos para registrar o momento.


As mulheres formavam maioria no grupo





Por fim chegamos no Museu da Acrópole, passando depois no Arco de Adriano, sempre parando nos lugares mais interessantes para fotografias. O arco de Adriano atravessa uma antiga estrada do centro de Atenas e foi construído por volta do ano 132 para celebrar o advento da chegada do imperador Adriano e honrá-lo por seus muitos benefícios a essa cidade.



Eu e Conceição no Arco de Adriano

Outro ponto forte nesse passeio foi a visita ao prédio Legislativo de Atenas, na Praça Syntagma, onde acontece a cerimônia da troca da guarda a cada hora, ocasião em que os os militares andam em passos de marcha bem lentamente, como numa coreografia militar, evento semelhante à troca de guarda do palácio de Windsor, no Reino Unido. Nessa praça, em frente ao “túmulo do soldado desconhecido”, uma multidão de turistas apreciava a cerimônia de troca da guarda e muitos pombos sobrevoando a praça era um espetáculo à parte.

Em um certo momento resolvi filmar a revoada de pombos e um senhor que estava com um desses pássaros pousado no seu braço me ofereceu para segurá-lo também. Eu apenas agradeci e disse que não poderia pois estava filmando os pombos. Na verdade tive receio, sei que esses adoráveis pássaros podem transmitir uma doença letal e na ocasião lembrei da morte de uma querida amiga que havia falecido aos 32 anos de idade por ter sido contagiada pelo vírus transmitido por pombos.


Cerimônia da troca da guarda no Parlamento Helênico



Vista do lado de  fora do Museu da Acrópole


No museu da Acrópole, onde existe um fantástico acervo de estátuas e artefatos encontrados nos sítios arqueológicos, pudemos tirar fotos onde no fundo da paisagem, lá no alto, estava a acrópole com toda sua imponência e beleza. Após a visita ao museu da Acrópole fomos a um restaurante ali mesmo no centro, para o almoço, ocasião em que pudemos conhecer a deliciosa gastronomia grega, com pratos típicos e muito saborosos, entre eles a conhecida salada grega e um prato preparado com carne moída, a famosa moussaka. A carioca Edna sugeriu esse prato, sendo esta a minha escolha para o almoço daquele dia, salada grega e moussaka.


Após o almoço decidimos, eu, Rosy e Arnaldo junto com o líder do grupo, retornar ao hotel de metrô pois havia uma estação bem próxima ao restaurante onde almoçamos. As demais integrantes do grupo preferiram continuar o passeio para compras em lojinhas no centro.

Retornamos ao hotel e à noite fomos jantar em um restaurante com música ao vivo, show com dança do ventre e outra dança típica grega com bela coreografia da música tema do filme Zorba, o grego.  Antes passamos  na praça Syntagma  para ver a troca da  guarda que acontece a cada hora no prédio legislativo.

                                                                         

Na praça Syntagma

                                          
Show no restaurante com dança típica


Show no restaurante com dança do ventre

No dia seguinte, bem cedo, saímos para um cruzeiro em três ilhas gregas, partindo do cais no porto de Atenas em um barco médio super confortável. A primeira ilha a ser visitada foi Hydra. Eu estava intuindo que me sentiria mareada, posto que já havia ficado assim em outros passeios de barco. Meu sexto sentido foi certeiro, pois naquele dia o mar Egeu estava bastante agitado e fiquei muito enjoada, com ânsia de vômito. Por isso isolei-me no banheiro com um saco de vômito na mão. Menos mal que não havia me alimentado muito bem naquela manhã e com o estômago vazio só vomitei a água que havia tomado. No entanto passei mal e senti vertigem, chegando quase a desmaiar no banheiro do barco. 

Fui socorrida por um funcionário do barco, que me levou para a proa. Quando avistei o mar, ao ser levada para a proa, senti novamente ânsia de vômito. Os amigos que estavam dentro do barco não sabiam do meu estado, apenas tinham conhecimento que eu estava nauseada e havia ido ao banheiro. 



No convés do barco  chegando na ilha de Paros
 

No Porto da Ilha de Paros

No momento em que encontrava-me debruçada na bancada da pia do banheiro,  veio-me  à mente uma cena que ainda hoje procuro saber se foi apenas fruto da minha imaginação ou um dèjavu de uma vida passada. Por um breve momento veio em minha mente a imagem de uma mulher e uma menina, ambas com traços orientais, a mulher vestida com roupa nas cores branco, vermelho e preto (via apenas a parte da manga comprida branca com listas horizontais vermelha e preta) e uma espécie de chapéu oriental  na  cor vermelha, preso em sua cabeça amarrado ao  queixo. 

Desenho que fiz tentando retratar a visão que tive no barco
                                        
Na visão as duas estavam dentro do mar, eu via apenas seus braços e cabeças, elas tentavam nadar até a margem que não estava tão longe, onde havia um monte nevado, portanto aquelas águas deviam estar bem geladas. Eu sentia a sensação da mulher que tentava nadar até a criança para salvá-la, pois estava se afogando nas águas geladas. Naquele momento senti o desespero da mulher, que não conseguiu salvar a criança e esta desapareceu nas águas, enquanto a mulher também em estado que imagino ser de hipotermia, pois não sentia as pernas (foi a sensação que tive no momento), não conseguia vencer o mar revolto. Foi quando não consegui me segurar em pé e fiquei debruçada sobre a bancada da pia do banheiro quase sem sentidos, quando ouvi alguém me chamando “madam...madam” tentando me despertar. A pessoa que me socorreu levou-me para a proa do barco e me fez sentar em uma cadeira. Alguém que me viu antes, debruçada sobre a bancada da pia quase sem sentidos, deve ter chamado o  funcionário do barco para me prestar socorro.

Quando levada pelo funcionário do barco para a proa, ao ver o mar novamente fiquei nauseada e saí dali de volta ao banheiro que estava próximo, pois a visão das águas turbulentas do mar Egeu  me  fizeram ter outra ânsia de vômito. Fiquei ainda alguns minutos no banheiro e quando  me senti melhor retornei ao local onde estavam os amigos, relatando a eles o que ocorrera comigo momentos antes. 

Lembro que ao retornar do banheiro para o local onde o grupo  encontrava-se, do lugar onde estávamos já  avistava terra firme, pois a embarcação encontrava-se a poucos quilômetros da margem, onde avistei o mesmo cenário da visão do afogamento da mulher e uma menina. Ao longe, em terra firme, estava o mesmo monte que eu avistara na margem do local do afogamento, no entanto agora não estava nevado como na minha visão.

Alguém do grupo   ofereceu um remédio para náusea que trazia na sua bolsinha de medicamentos. No entanto preferi comprar outro remédio mais adequado para aquele tipo de náusea ocasionada pelo balanço do barco, em uma farmácia na ilha de Hydra, onde estávamos aportando. Tomei o remédio e me senti bem melhor. Guardei a cartela do medicamento para tomar em outras ocasiões, pois nos dias seguintes eram previstos no roteiro outras viagens de ferry boat para Mykonos e Santorini, além de passeios em barcos menores para outras duas ilhas, Delos e Nea Kameni.

Depois de conhecer a encantadora ilha de Hydra, seguimos no mesmo barco para a ilha de Paros, (também uma belíssima ilha) e por fim até a terceira ilha, Aegina, conhecida como a ilha do pistache. Nessa última me perdi do grupo quando fui comprar alguns lanchinhos a base de grãos, mel e cereais, em uma loja perto do cais. Enquanto eu fazia o pagamento os demais do  grupo saíram para outro local e fiquei sozinha. Liguei para alguém do grupo que me sugeriu esperar  um pouco permanecendo onde estava, pois eles estavam voltando. Eu preferi não esperar e retornei ao barco, onde fiquei deitada em um banco  lateral, pois estava meio sonolenta sob efeito do medicamento que tomara.

Outro fato curioso ocorrido no cruzeiro das três ilhas foi um vídeo que fiz quando estava dentro do barco. Minha intenção era  filmar o mar Egeu e o sol que estava aparecendo entre as nuvens, pois naquela manhã o céu estava meio nublado. Fiz o vídeo  às 8:21h, pouco tempo depois que embarcamos e antes de me sentir nauseada pelo balanço do barco.  

Quando verifiquei as imagens filmadas  vi que alguns objetos ou figuras circulares aparecem no céu. Fiz alguns prints do vídeo e enviei a um conhecido que estudou ufologia por muito tempo e tem conhecimento sobre análise de fotos de OVNIS. Então ele me informou que os pontos circulares  vistos no vídeo são reflexos das luzes do barco, uma vez que a imagem foi filmada de  dentro do barco, através da vidraça. Vejam e percebam  como as imagens são semelhantes a uma pequena frota de  discos voadores. Vejam no tempo 0:32s em diante e  tirem suas próprias conclusões. 



Print de imagem do vídeo



Print ampliado  de uma imagem do vídeo


O retorno do passeio às três ilhas foi mais tranquilo, com muitas risadas e conversas. A mineira Lucia Regina parecia um personagem de programa humorístico com sua espontaneidade e bom humor. Não mais senti náuseas, no entanto preferi não almoçar no buffet servido no barco e apenas fiz um lanche bem leve. Retornamos a Atenas e à noite o jantar foi também uma refeição leve na lanchonete próxima ao hotel.

No dia seguinte, bem cedo, saímos com nossa bagagem menor (a outra mala ficou no depósito do hotel em Atenas), em um ônibus de turismo, para conhecer nos quatro dias seguintes as cidades de Olímpia, Delfos e Kalambaka com suas atrações, vivenciando uma jornada de conhecimento dos primórdios da antiga civilização ocidental.

Antes de chegar em Olímpia, passamos pelo Canal de Corinto, onde aconteceu a primeira parada. Aproveitei para comprar lanchinhos, barras de gergelim e mel, doces, grãos e passas. Quando me encontrava na fila do caixa, um paulistano também estava nesse local e verificando que eu era brasileira  cumprimentou-me alegremente, perguntado qual minha cidade de origem. Respondi que era de Teresina-PI, enquanto ele informou que era de São Paulo, capital. 

Após abastecer a mochila com os lanches,  segui  acompanhando o grupo junto com  a guia do passeio, ocasião em que ela   narrou a  história do canal de  Corinto informando sobre  sua construção que perdurou  por longos anos. Segundo a narrativa da guia a idéia de  construir o canal surgiu ainda na Antiguidade. Péricles, Alexandre, Júlio César e Nero já sonhavam  em  construir, sendo este último quem deu início às escavações no ano 67 d.C. No entanto ficou ´só na escavação e depois abandonou o projeto. Muito tempo depois, cerca de 1.800 anos, finalmente  foi concluído no ano de 1893, com projeto do engenheiro húngaro István Turr, financiado pelo banqueiro Andreas Syngros.                                                                 

Canal de Corinto (foto de minha autoria)

O canal de Corinto corta a Grécia continental, ligando o mar Egeu ao Mar Jônico, atravessando o Istmo de Corinto, transformando  a península de Peloponeso em uma ilha. Possui medidas impressionantes, pois mede aproximadamente 6 km de comprimento, com apenas 21 metros de largura e paredes que chegam a medir 80 metros de altura. O canal impressiona pela ousadia da engenharia envolvida e hoje cerca de doze mil embarcações  por ano o atravessam, em grande parte ligadas ao  turismo. 


Foto ilustrativa  do canal de Corinto encotrada na Internet, desconheço a  autoria

Após conhecermos o canal de Corinto, visitamos o famoso teatro de Epidauro, ocasião em que pedi a um húngaro que ali se  econtrava  com sua esposa, para tirar uma foto minha no último degrau do teatro, onde nos encontrávamos, pois a visão de cima era muito bonita. Ele me informou sua nacionalidade e perguntou sobre a minha. Respondi ser do Brasil e a meu pedido ele tirou algumas fotos. Agradeci sugerindo que também poderia tirar fotos dele junto com a esposa. Ele aceitou e agradeceu. Apesar do meu inglês ser precário, conseguia me comunicar nesse idioma. Fiquei admirada, pois eram bastante idosos e conseguiram escalar todos os degraus do teatro, até o último, o que requer uma boa condição física e disposição. 



                                                  Vídeo do antiguíssimo Teatro de Epidauro



Antigo Teatro de Epidauro


No topo  do  Teatro de Epidauro


Construído no século IV a.C. por Policleto, o Jovem, o antigo Teatro de Epidauro é um dos lugares mais surpreendentes de toda Grécia. Graças ao seu bom estado de conservação e à incrível acústica, esse antiguíssimo teatro continua sendo usado durante o Festival de Verão  para eventos,  e no centro dele, que tem forma circular, o palco é montado.

Naquela ocasião me dispersei do grupo e diante da multidão de turistas não conseguia ver o local onde estavam as amigas Conceição e Sandra, para que tirassem fotos minhas, de forma que passei a tirar somente selfs.


Vista do Teatro de Epidauro


Em Micenas

Após a visita ao teatro de Epidauro, fomos ao museu de Esculápio (ou Asclépio), que na mitologia é o deus da medicina e da cura. Passando pela cidade de Nafplio chegamos a Micenas para visita a acrópole pré-histórica, onde há a porta dos Leões e o túmulo de Agamênnon, o rei de Argos e de Micenas, que   foi na sua época o comandante supremo do exército grego na guerra contra os troianos.

À tarde, atravessando o Peloponeso Central, chegamos em Olímpia, cidade de origem dos jogos olímpicos da antiguidade, onde jantamos e pernoitamos. Nesse dia jantei sozinha, o grupo ficou no hotel para o jantar  servido no restaurante. Fiz apenas um lanche em um pequeno restaurante/lanchonete próximo ao hotel.

Por falta de atenção (acho que dormi no ônibus) não ouvi quando a guia do passeio informou que o jantar seria no restaurante do hotel. Portanto, após tomar banho e me trocar, procurei o grupo na recepção e como não vi ninguém imaginei que estavam em algum restaurante, nas proximidades do hotel. Procurei e não vi ninguém conhecido. Liguei para as amigas Conceição e Sandra, porém não puderam atender, talvez o celular estava desativado para receber ligação. Liguei para o líder, ele atendeu e me informou que o grupo já havia jantado no hotel e estavam indo para seus quartos, para o banho e recolhimento.

Eu havia tomado banho antes do jantar, logo que chegamos no hotel e por isso houve o desencontro com os demais do grupo, pois estes logo que chegaram fizeram um breve passeio para tirar fotos da cidade e depois foram direto para o restaurante do hotel.  Minha falta ao jantar no hotel se deu principalmente pelo fato de me encontrar sozinha, sem parceria naquele momento, inexistindo alguém próximo para me lembrar sobre a informação dada pela guia, pois havia cochilado dentro do ônibus e não ouvi sobre isso quando ela informou ao grupo. 


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